OS GRANDES VIAJANTES E EXPLORADORES


Apresentamos aqui os grandes nomes das viagens, explorações e aventuras pelo Mundo.


Se quiser sugerir um nome que ainda não esteja aqui listado, agradecemos que nos contacte para que o possamos analisar e eventualmente considerar numa próxima actualização.

Se possível envie-nos também um pequeno resumo com informação que possa recolher sobre a personalidade sugerida.

Legenda: Novo - As personalidades assim marcadas, significa que foram recentemente adicionadas.



ÍNDICE

Alain Hubert
Alexandre Magno
Alexine Tinne
Bertram Thomas
Beryl Markham
Bjarni
David Livingstone
Delia Akeley
Edmund Hillary e Tenzing Norgay
Edward Marriott
Egipcios/Hatchepsut
Eratóstenes
Erik o Vermelho
Ernest Henry Shackleton
Fanny Bullock Workman
Fenícios/Hannon
Florence Baker
Gil Eanes
D. Henrique e Europeus
Henriette d’Angeville
Harry Philby
Henry Stanley
Homo Ergaster (Homo Erectus)
Ibn Battuta
Jacques-Yves Cousteau
João Garcia
John Hunt
Junko Tabei
Karen Blixen
Leif Eriksson
Marco Pólo
Marie Paradis
Mary French Sheldon
Mary Kinglsey
Mary Livingstone
Mary Slessor
Maurice Herzog e Louis Lachenal
Michel Gabriel Paccard e Jacques Balmat
Osa Johnson
Pítias
Ptolomeu
René Caillié
Samuel Baker
Théodore Monod
Thor Heyerdahl
Thorvald
Viquingues
Zheng He



Delia Akeley

Delia Akeley: 1875-1970
Viveu na selva com pigmeus e estava preparada para a eventualidade de uma morte violenta. Levava sempre consigo uma maneira rápida de acabar com a vida. Norte Americana. Com quase cinquenta anos propos-se a atravessar sozinha a África de costa-a-costa. Em 11 meses atravessou o Quénia, Uganda, Congo Belga (Zaire), ou seja, o mesmo que David Livingstone tinha feito 40 anos antes, mas em sentido contrário (de Angola a Quelimane). Durante 21 anos viveu na sombra do marido, Carl Akeley, de quem se viria a separar, antes de assumir o seu próprio protagonismo. Quando ainda andavam juntos a caçar em África, chegaram a ser acompanhados pelo presidente dos EUA, Theodore Roosevelt. Nessa altura caçavam animais que seriam embalsamados e expostos no Museu de História Natural de Nova Iorque. Delia adorava primatas e por isso capturou um macaco para estudar o seu comportamento entre os humanos, o que resultou no livro intitulado "J.T., The Biography of an African Monkey". Depois de longas expedições pelo Quénia e Uganda, foi para o Congo Belga (Zaire) para as regiões dos rios Ituri e Aluwini onde viviam os pigmeus Mbuti, ainda em estado primitivo e sem contactos com brancos (mediam cerca de um metro e trinta). Durante meses viveu com eles, na húmida selva profunda. Mais tarde encontrou-se com um velho amigo e inesperadamente casou-se pela segunda vez com Warren G. Howe, passando a partir daí a viver de uma forma mais calma e segura. Morreu com 95 anos, ainda com boa memória sobre as suas aventuras em África.



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Osa Johnson

Osa Johnson: 1894-1953
Casada com Martin Johnson, foi estrela de Hollywood ao tornar-se heroína dos seus filmes. Além de protagonista diante da camara, era também a protectora e caçadora das expedições. Ambos, foram pioneiros dos documentários em África, quando os filmes eram a preto e branco. Martin viajou pelo Havai, Taiti, Bora Bora, Ilhas Fiji, Novas Hébridas e Ilhas Salomão. Depois, com as imagens dessa viagem, fez um espectáculo itenerante a que chamou "Viagem pelos Mares do Sul com Jack London". Mostrava ilhas desertas e povos canibais. Foi numa dessas sessões que o casal se conheceu. Osa escreveu o livro "I Married Adventure". Já casados viajaram pelos Mares do Sul. As Ilhas Salomão eram as mais perigosas. No regresso apresentaram o filme "Among the Canibal Isles of the South Pacific", que foi um grande sucesso. Escreveu outros livros sobre esta viagem e que se tornaram celebres. Depois rumaram ao Bornéu para filmar a vida selvagem nas selvas, o que resultou no documentário "Jungle Adventures". Mais tarde conheceram Carl Akeley que os levou para a sua grande Aventura na África Oriental Britânica. Chegaram ao Quénia em 1921. Adaptaram às filmagens os seus Willis que trouxeram dos EUA em peças e partiram para as planicies de Kapiti e para as margens do rio Athi. Depois percorreram o Lago Vitória, as nascentes do Nilo Branco no Uganda, as selvas do Congo Belga e Ruanda, as planicies do Quénia e Tanzânia. No Quénia fizeram então a sua primeira Grande Expedição, atrás da história que relatava a existência de um santuário de vida selvagem na cratera de uma montanha no Norte do país. Não estava referênciada nos mapas. Tratava-se apenas de um relato no diário de um missionário Escocês. Tratava-se do cume da Montanha Marsabit. De regresso aos EUA fizeram o filme chamado "Trailing African Wild Animals". Mais tarde voltam à Montanha Marsabit a que chamam "Vale Paraíso" e aí montam um acampamento "permanente". Ficam ali quatro anos a filmar. Durante esse periodo são visitados por George Eastman (inventor da máquina fotográfica portátil) e por Carl Akeley. Depois ficam um ano no Serengeti (actual Tanzânia) a filmar leões. Aqui filmam uma caçada tradicional ao leão, por guerreiros Kipsigis. Como resultado, apresentam o filme "Simba". Osa apresenta depois o livro "Four Years in Paradise". Quatro anos depois de Delia Akeley, vão ao Congo Belga e na selva do Ituri filmam os pigmeus utilizando meios materiais nunca vistos em África. Depois vão aos montes Virunga para filmar gorilas. Fazem então o filme "Congorilla". E quando acharam que a sua missão em África estava cumprida, uma nova dimensão surgiu com a aquisição de dois hidroaviões que aprenderam a pilotar. O "Arca de Osa", pintado como uma zebra e o "Espírito de África", pintado como uma girafa. Como eles filmaram África vista do ar. Mais tarde decidem voltar aos Mares do Sul, onde tinham começado a sua carreira e fazem um dos melhores documentários de sempre. De regresso aos EUA, tinham decidido adoptar uma criança e levar uma vida mais sedentária. Lamentavelmente tem um acidente de avião ao qual Martin não sobrevive. Osa fica desolada e é a custo que leva a sua vida. É assessora técnica do filme "Stanley and Livingstone". Mais tarde casa-se segunda vez com Clark H. Getts que a motivou a escrever as suas memórias no livro "I Married Adventure". É muito solicitada para explorar publicitariamente a sua imagem mas acaba por cair em depressão, pelas memórias da vida passada com Martin. Torna-se alcoolica e separa-se de Clark. Morre de ataque cardiaco com cinquenta e nove anos.



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Mary Kinglsey

Mary Kinglsey: 1862-1900
Rebelde. Aos trinta anos esta cientista aventureira partiu para explorar África. Aprendeu a caçar e fez comercio com os canibais 'fang', com quem viveu algum tempo. Idolatrava Richard Burton, outro grande explorador. Andou pela Serra Leoa, Gana, Nigéria e Congo Fracês (actual Gabão). Como tinha pouco dinheiro, viajava sozinha, a pé e comia do que os nativos lhe davam. Escreveu os livros ´Two Voyages to Sierra Leone', 'Travels in West África' e 'West Áfrican Studies'. Escalou o 'Mungo Mah Lobeh (4.070 metros), o mais alto dos Camarões. Voltou à África do Sul como enfermeira na Guerra dos Boers contra os Inglêses onde veio a morrer de febre Tifoide.



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João Garcia

João Garcia: 1971
Um dos maiores símbolos da Aventura em Portugal. Trata-se do único Português a escalar o Monte Evereste e assim chegar ao ponto mais alto do Mundo (8850 metros). E fê-lo da forma mais natural, difícil e que só é possível com a técnica, a condição física e a determinação dos maiores alpinistas Mundiais. Ou seja, sem recurso a oxigénio. Mas não o fez sem enormes sacrifícios pessoais. O João Garcia ganhou o cume do Evereste, mas perdeu os dedos e o nariz que lhe foram amputados e também o seu grande amigo e sócio, Pascal Debrouwer que morreu na descida. João Garcia escreveu o livro “A Mais Alta Solidão” (com prefácio de Miguel Sousa Tavares) onde relata em detalhe tudo o que passou para alcançar este sucesso que deve ser um orgulho para todos os Portugueses. João Garcia, como a maioria dos grandes alpinistas, tem muito de “perfil solitário”. Desde sempre dedicou a sua vida ao alpinismo de alta montanha. Começou por volta dos 16 anos, nos escuteiros, com equipamento rudimentar e maioritariamente improvisado. Nessa altura ia praticar para prédios abandonados ou em obras. Ainda com essa idade, montou na bicicleta e foi de Lisboa até à Serra da Estrela para conhecer o Clube de Montanhismo da Guarda, onde chegou ao fim de 4 dias. E foi através desse clube que conheceu Angel Miguel Muñoz, com quem aprendeu as primeiras técnicas mais a sério e que lhe permitiu comprar melhor equipamento e participar nas suas primeiras actividades de alpinismo. Mais tarde viria a fazer muito do seu próprio equipamento. Aos 17 anos subiu o Monte Branco (4807 metros), no meio de um grande número de peripécias. Depois disso foi um nunca mais parar. Ia para França ou Suíça onde trabalhava no campo para depois poder ir escalar com o dinheiro conseguido. Depois foi para a tropa aos 19 anos e fez uma comissão na Bélgica, o que lhe permitiu estar mais perto dos Alpes. Foi depois disso que se iniciou nos Himalaias, em boa parte motivado pela ascensão do primeiro Português (Gonçalo Velez) que em 1991 escalou um pico superior a 8000 metros (Annapurna – 8091 metros). Então, em 1993, fez o cume do seu primeiro 8000 (há apenas 14 no Mundo), o Cho Oyo (8201 metros). Uma vez mais, com uma série de peripécias pelo meio. A vida que tinha escolhido era difícil de “alimentar” e por isso ia fazendo trabalhos vários que procurava terem algum relacionamento com a escalada ou pelo menos que o ajudassem a manter a forma física. Venceu vários 8000 e fez várias tentativas de vencer o Evereste. Foi numa destas tentativas (1997) que conheceu o Belga Pascal Debrouwer e os Brasileiros Paulo e Helena Coelho que o acompanhariam mais tarde na “Grande Escalada”. E foi com o Pascal que criou a “Montagnes du Monde”, empresa sediada na Bélgica que lhe daria suporte à sua própria organização de expedições. Em 1999 fez então a bem sucedida mas também dramática escalada ao cume do Evereste. A esta altitude, sem oxigénio, o esforço físico é enorme e as condições psicológicas chegam a um ponto em que já não há certezas. Ao chegar ao cume o João Garcia procurou um tripé de uma expedição anterior e que se tinha habituado a ver em fotografias. Mais tarde viria a saber que esse tripé já lá não estava. Mas na busca perdeu muito tempo. Desceu, esquecendo-se de fazer fotografias que atestariam pelo cumprimento do objectivo. No regresso encontrou o Pascal, ainda a caminho do cume e que o convenceu a regressar. Tudo isto demorou muitíssimo tempo. Feitas as fotografias, iniciaram ambos a descida. Mas a noite acabou por cair. Perderam-se um do outro e foram obrigados a passar a noite em alta montanha, cada um por si, em condições de sobrevivência. Ao nascer do dia o João reiniciou a descida, acreditando que o seu companheiro estava mais abaixo. Mas lamentavelmente, não. O João consegue chegar ao primeiro ponto de acampamento onde os Brasileiros Paulo e Helena o auxiliam. Mas o Pascal ficou para sempre na mais alta montanha do mundo. A prolongada exposição ao frio, custou a João Garcia, dedos das mãos e dos pés e também uma parte do nariz. Foi tratado no Campo Base do Evereste, depois em Katmandu e por fim, prolongadamente em Saragoça. Actualmente, depois da recuperação física possível e apesar do impacto da perda do amigo, João Garcia continua a sua actividade de alpinista, o que demonstra grande coragem. Recentemente venceu mais um 8000. Obrigado João por levares alto a nossa bandeira!



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Beryl Markham

Beryl Markham: 1902-1986
Beryl foi uma mulher sedenta de aventura. Foi a primeira mulher piloto aviadora profissional de África. Em 1942 escreveu o livro “West With The Night”. Partilhou a juventude com os Nandis. Tinha fama de “devoradora de homens” graças aos romances célebres que viveu. Ficou célebre por ter feito uma aposta em como conseguia atravessar o Atlântico Norte na sua avioneta. Conhecia profundamente o Quénia, onde fez muitos safáris e viveu muitas aventuras. Trabalhou com o barão Bror Blixen e com Denys Finch-Hatton, vindo a ser amante deste último, partilhando-o com Karen Blixen. A sua infância difícil e atribulada, ditou uma personalidade irreverente e indomável. Sentia-se uma Massai branca. Viveu pouco tempo na Índia quando esteve forçadamente casada com o capitão Jock Purves. Casou segunda vez com Mansfield Markham e durante algum tempo viajou pela Europa e viveu uma vida de princesa. Nessa altura viveu um romance com o Duque de Gloucester, o irmão mais novo do príncipe Eduardo e que se chamava Henry. Engravidou nessa altura e ficaram sempre dúvidas sobre a paternidade do filho que acabou por rejeitar, tendo este sido educado por Mansfield de quem se acabou por divorciar. Viveu depois nos EUA. Mais tarde conheceu Jorgen Thrane com quem viveu mais de 10 anos. Também ela morreu com as lembranças de uma vida em África, na memória.



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Alexine Tinne

Alexine Tinne: 1835-1869
Holandesa excêntrica, viajante, que levou na bagagem a própria mobília da sala e um piano de cauda. Tentou encontrar as nascentes do Nilo, sem sucesso. Foi assassinada no Sahara. Viajou pelo Egipto e Palestina. Viajou com a mãe, sempre rodeadas de grande luxo. Foram pioneiras num tempo em que poucos Europeus se aventuraram por tanto tempo nestas terras. Foi assassinada por Tuaregues para lhe roubarem as riquezas que pensavam levar. Há lendas que dizem que não morreu e que casou com um sultão.



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Karen Blixen

Karen Blixen: 1885-1962
Escritora. Viajou pelo Quénia Britânico. Escreveu o livro “África Minha” em 1937, que resultou num dos melhores filmes que já se fizeram. A baronesa era casada com o barão Bror Blixen e amante do caçador Denys Finch-Hatton. Foi para África para cultivar café, mas tornou-se obcecada pela caça grossa, tal como antes dela, as suas primas, Agnés e Cecily Herbert. Em 1960 escreveu o livro “Sombras no Capim” sob o pseudónimo de Isak Dinesen. Viveu África na sua plenitude. Caçou leões entre outros. Foi amiga de Somalis, Quicuius e Massais. Morreu no seu país natal.



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Florence Baker

Florence Baker: 1841-1916
Mulher de Samuel Baker. Foi vendida como escrava e comprada pelo que veio depois a ser o seu marido. Procurou as nascentes do Nilo. Viajou pelo Uganda, Sumália, Sudão, Egipto e Arábia. Vestia-se, de forma pouco própria para a altura, como um homem. Montava a cavalo e sabia disparar uma arma. Viveu uma vida nómada e de grandes privações enquanto explorava as terras do Alto Nilo, no Sul do Sudão, para as anexar ao Egipto, em nome do “quediva” Ismael.



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Théodore Monod

Théodore Monod:
Nasceu em 1902 em Rouen (França). Os pais eram pastores protestantes e por questões de trabalho, foram viver para Paris quando Théodore tinha 5 anos. Os passeios que dava nessa altura pelo jardim botânico, vieram a influenciar muitíssimo a sua vida. Interessava-se por questões filosóficas, religiosas e da existência humana. Tornou-se naturalista e um viajante à procura da história da Terra e do Homem. O deserto é o local onde encontra tranquilidade e a ausência total do consumismo moderno. Aprende como se pode sobreviver com muito pouco. Com 14 anos tem conhecimento da morte do missionário e explorador Charles Foucauld em Tamanrasset, o que o impressionou bastante. Faz uma viagem pela região do Midi (França) e escreve o seu primeiro relato. Com 15 anos cria uma sociedade de história natural e edita um jornal de ciências. Com 18 anos, graças ao seu excelente desempenho como estudante de zoologia e botânica, é escolhido como naturalista para integrar uma viagem de exploração ao oceano Atlântico. E dois anos depois, vai à Mauritânia para estudar a fauna costeira e as pescas. Depois faz a tropa em Ahnet, onde desempenha o papel de condutor de camelos (“Meharista”). Em 1938 casa-se com Olga, uma parisiense. Ela vai de branco e ele vai vestido com as vestes do deserto. Continua as suas explorações, optando pelo deserto em detrimento do oceano. Percorre o Sahara, entre Saint-Louis-du-Sénégal e a Mauritânia. Até 1938 recolhe uma grande quantidade de dados biológicos, geológicos e etnológicos. Procura durante 50 anos o “Cometa de Chinguetti”. Em 1938 é director do IFAN (Instituto Francês da África Negra), uma organização científica. Passa a morar em Dakar. Durante a 2ª Guerra Mundial ajuda a criar as “Forças Fraternais Francesas”. Escreve “L’Hippopotame et le Philosophe”. Em 1940 é mobilizado pelo exercito para o Norte do Chade, junto à fronteira com a Líbia. Nas diversas missões tem oportunidade de explorar o Tibesti. Tem apenas de enfrentar pequenas escaramuças com tropas inimigas. Durante esta época escreve, desenha e pesquisa muito. Em 1948, desce às profundidades oceânicas, com o professor Piccard, a bordo do batíscafo (esfera metálica com que se bateram recordes de profundidade). A 150 metros é a escuridão total. Em 5 horas vão e regressam dos 1400 metros de profundidade. Entre Dezembro de 1954 e Janeiro de 1955, volta às grandes travessias desérticas. Escreve os diários intitulados “Agrimensor”, “Conhecedor” (El Mehnoun) e “Louco de deserto” (nome que lhe foi atribuído pelos Beduínos). Escreve muito e recolhe muitas amostras para o museu. Chamam-lhe “Príncipe das Areias” e comparam-no com “Laurence da Arábia). Aprende cada vez mais com os povos nómadas de tradição oral. É muito activo na defesa e preservação da natureza. Faz muitas conferencias e escreve desenfreadamente. Durante toda a sua vida partilhou muitas informações recolhidas, com o seu amigo (também investigador), Teilhard de Chardin. De 1923 a 9 de Janeiro de 1994 fez a sua última viagem de camelo. Depois disso passou a viajar de 4x4.



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Ernest Henry Shackleton

Ernest Henry Shackleton:
Em Agosto de 1914, Ernest Henry Shackleton sai de Inglaterra a bordo do “Endurance”, com 27 homens. Pretende atravessar o Antárctico. Mas em Janeiro de 1915 o barco fica preso num imenso bloco de gelo flutuante. Andam à deriva durante 281 dias. Em Outubro o gelo aperta o barco até o destruir por completo. Montam acampamento na plataforma gelada. Para sobreviverem caçam pinguins e focas. A gordura serve de combustível para se aquecerem. Em Abril de 1916 a plataforma gelada parte-se em duas partes. Decidem que têm de abandonar este “meio de transporte” instável, onde têm vivido nos últimos meses. Os 28 homens dividem-se por três canoas e em 6 dias conseguem ultrapassar as dificuldades dos icebergues e das orcas e chegam à Ilha Elefante. Após 20 meses de mar, estão agora em terra firme. Ernest Shackleton parte com 5 homens e volta ao mar. Tem de enfrentar um mar muito revolto, mas em 16 dias consegue chegar à Geórgia do Sul, após 1500Km de navegação. Caminham 36 horas nos glaciares até chegarem a uma estação baleeira no extremo da América do Sul. Organizam uma operação de resgate e em 30 de Outubro de 1916 recuperam os companheiros deixados na Ilha Elefante.



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Michel Gabriel Paccard e Jacques Balmat

Michel Gabriel Paccard e Jacques Balmat: 1762-1834
Em 1760 Horace Bénédict (naturalista suíço) oferece uma recompensa ao primeiro homem a escalar o Monte Branco (a 4804 metros, nos Alpes Franceses). No vale de Chamonix há uma certa euforia e durante 16 anos muitos tentam alcançar o pico mais alto da Europa. Exploram-se caminhos e testam-se as capacidades e dificuldades do corpo humano em altitude. Em Junho de 1786 Jacques Balmat chega ao grande planalto a 4000 metros. Mas ao descer, cai a noite e é obrigado a lutar pela vida. Sobrevive! Pouco tempo depois, Michel Paccard e Jacques Balmat, ambos com experiência de outras tentativas, decidem juntar esforços para alcançar o pico, a 7 de Agosto. Levam equipamento pouco convencional para a época. Apenas sapatos com pitões e bastões de ferro. Passam a noite na encosta ao abrigo das rochas e apenas enrolados num cobertor. Às 4:00 da manhã partem novamente para atacar o glaciar de Bossons. Têm de ultrapassar as fendas com criatividade. Às 15:00 horas chegam ao grande planalto. Atacam a última etapa, virgem de qualquer tentativa. A dificuldade é enorme e a progressão muito lenta. O ar rarefeito tira-lhes o folgo a cada passo. Mas às 18:23, com uma temperatura de 6º negativos, chegam finalmente ao topo do Monte Branco. Iniciam a descida muito gelados. Michel Paccard sofre com os reflexos da luz na neve (reverberação) e perde a visão. Jacques Balmat tem de o guiar. Chegam finalmente ao vale de Chamonix na tarde do dia 9. Estão com o rosto muito queimado, inchado e com os lábios gretados. Mas são os vencedores deste grande desafio e podem agora repartir entre eles o prémio de Horace Sanssure que alias, escala também ele o Monte Branco, no ano seguinte, guiado por Jacques Balmat e mais 20 homens. Inicia-se aqui o desenvolvimento do alpinismo.



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Maurice Herzog e Louis Lachenal

Maurice Herzog e Louis Lachenal: Antes da 2ª Guerra Mundial o alpinismo teve um forte desenvolvimento. Já com poucas conquistas no Mundo por efectuar, os grandes desafios estavam na altitude. Sobretudo os ingleses fizeram um grande número de expedições com o objectivo de conhecerem as maiores montanhas do Mundo. Em 1950 Maurice Herzog, com mais 8 alpinistas, vão para o Nepal para tentarem escalar o Dhaulagiri (8172 metros) ou o Anapurna (8078 metros). Levam consigo uma aparatosa expedição, com grande número de carregadores e equipamento. Fazem duas equipas que se desdobram em escaladas para montagem dos acampamentos intermédios. No ataque final vão apenas Maurice Herzog e Louis Lachenal com alguns sherpas. Os dois homens ficam depois sozinhos para passar a noite no último acampamento a 7500 metros. Sofrem bastante durante essa noite. Na madrugada do dia 3 de Junho, avançam para o cume. Têm muito frio. Vão com pouco equipamento e escalam sem oxigénio. A escalada é muito dura. Mas às 14:00 horas chegam ao topo do Anapurna. Tiram fotografias e deixam lá a bandeira francesa. Louis tem os pés gelados e Maurice, ao tirar as fotografias, deixa cair uma luva num penhasco. Na descida o céu fica escuro e começa a nevar. Lutam pela vida. Conseguem chegar ao acampamento onde tinham passado a noite e encontram à sua espera Gaston Rebuffat e Lionel Terray que os ajudam a recuperar algum calor. Passam mais uma noite muito complicada e no dia seguinte reiniciam a descida, com muito pouca visibilidade. Não encontram o acampamento seguinte e têm de enfrentar uma situação de sobrevivência, procurando abrigo numa reentrância rochosa para passar mais uma noite. Gaston e Lionel ficam cegos por causa da reverberação da neve. Louis tem os pés gelados e Maurice tem as mãos também geladas. Os restantes alpinistas e os sherpas sobem para os ajudar e acabam por lhes salvar a vida. Maurice Herzog e Louis Lachenal têm de amputar dedos das mãos e dos pés. Mas tornam-se nos primeiros homens a conquistar um cume acima das 8000 metros.


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John Hunt

John Hunt: Várias foram as expedições que recolheram informação sobre o Evereste. O primeiro mapa é de 1921. Em 1953 é organizada uma colossal expedição, liderada por John Hunt. Conhecem bem as dificuldades que vão ter para conquistar o cume mais alto do Mundo, aquele a que os Budistas chamam de “Chamolunga”. Já em 1924, dois alpinistas famosos, ali tinham perdido a vida, deixando o Mundo na dúvida, se teriam de facto chegado ao topo. Os seus corpos só foram encontrados em 1999. E outras tentativas foram feitas, introduzindo cada uma delas, mais conhecimento da montanha e dos equipamentos. Introduziram também o oxigénio no alpinismo de alta montanha. Em 1951 exploram uma via pelo glaciar de “Khumbu”. Em 1952 uma expedição suíça chega aos 8595 metros. Estava com eles o sherpa Tenzing Norgay que fará parte da equipa de John Hunt no ano seguinte. Esta expedição leva 7,6 toneladas de equipamento, transportadas por 450 carregadores, durante 17 dias, entre Catmandu (Nepal) e Tangboche. O acampamento provisório fica a 3876 metros de altitude. Depois, o alpinista Edmund Hillary (Neozelandês), sobe ao glaciar Khumbu (5364 metros), com 28 sherpas e 39 carregadores, para montar o acampamento base. E será ele, com o sherpa Tenzing Norgay, sob o comando de John Hunt, que irão vencer o “Tecto do Mundo”.


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Edmund Hillary e Tenzing Norgay

Edmund Hillary (Nova Zelândia) e Tenzing Norgay (Nepal): Durante cerca de um mês e meio, vários alpinistas e sherpas treinam afincadamente em altitude. São coordenados por John Hunt. Escalam vários picos e vão montando os acampamentos ao longo do caminho na via escolhida, para tentarem o ataque ao pico do Everest. O acampamento base é montado a 5364 metros, no glaciar Khumbu. No dia 26 de Maio John Hunt dirige os alpinistas Charles Evans e Tom Bourdillon para fazerem a primeira tentativa. Sobem com recurso a oxigénio. Saem do acampamento a 7850 metros. Mas ao final da manhã a progressão é atrasada pela neve e nevoeiro. Ao final da tarde estão a 83 metros do cume. Mas têm problemas com o equipamento de oxigénio e o atraso da manhã faz com que já não tenham tempo para subir e voltar a descer em segurança. A luz do dia é fundamental para a descida . São obrigados a abortar a tentativa. Numa segunda tentativa, dois dias depois, a estratégia é diferente. Alfred Gregory, George Lowe e Ang Nyima (sherpa) vão até aos 8500 metros, transportando comida. Edmund Hillary e Tenzing Norgay levam uma tenda que montam para comer e recuperar forças, enquanto os três antecessores descem. Passam uma noite com 27º negativos. Saem às 6:30. Depois de passado o pico sul, seguem pela aresta que conduz ao cume. Um erro pode significar uma queda num abismo de 3600 metros. Têm de vencer uma parede rochosa. O esforço é imenso. Mas ambos conseguem vencer esse obstáculo final que os separa do tecto do Mundo. Abraçam-se! Conquitaram o cume do Everest. Tiram fotografias. Mas não há tempo para descançar. Agora é necessário regressar vivo. E conseguiram de facto chegar ao acampamento base onde toda a equipa comemorou o feito. Desde esta data, mais de 1000 alpinistas escalaram o Everest e chegaram ao cume. Muitos morreram na tentativa. Sobretudo na descida que é a fase mais perigosa e é quando os alpinistas são surprendidos pela noite e pela intemperies.


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Fanny Bullock Workman

Fanny Bullock Workman (Estados Unidos da América): Depois de 1890 e durante 10 anos, viaja com o marido, de bicicleta, pela Europa, Ásia e Argélia. Dedicam-se ao alpinismo. Fazem 8 expedições aos Himalaias. Cartografam vales e glaciares. Em 1906, com 47 anos, escala o Pinnacle Peak (6930 metros) e passa a ser a mulher a chegar mais alto até essa altura.


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Marie Paradis

Marie Paradis: Com 18 anos e 30 anos depois do primeiro homem, é a primeira mulher a escalar o Monte Branco, o ponto mais alto da Europa. Esta camponesa de Chamonix alcança esta conquista em 1806, mas a expedição foi pouco publicitada e por isso o Mundo recorda pouco este nome. Ao contrário de Henriette d’Angeville, muito mais conhecida, mas que só concretizou o mesmo feito, 32 anos depois.


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Junko Tabei

Junko Tabei: Em 1975, Junko Tabei, com 36 anos, coordena uma expedição só de mulheres e sherpas e tenta a conquista do Everest. Segue o mesmo percurso feito por Hillary e Tenzing em 1953. Mas uma avalanche de neve estraga-lhe os planos, deixando-a soterrada com uma companheira. Sobrevive! 7 dias depois faz nova tentativa. Vai sozinha com o sherpa Ang Tschering. E desta vez consegue conquistar o “Tecto do Mundo”.


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Harry Philby

Harry Philby: Em 1917 Harry Philby, oficial do exercito, chega à Arábia para se juntar a Lawrence da Arábia, no combate dos Árabes contra os Turcos Otomanos. Durante a sua estadia, atravessa a Arábia passando nos limites do Rub’al-Khali. Este é o “deserto dos desertos” ou o “lugar vazio”. Este local, de total ausencia de vida, fica no Sudoeste da Árabia Saudita e é a maior extensão de areia do Mundo. São centenas de quilómetros de dunas, por vezes com mais de 200 metros de altura. Os próprios nómadas beduínos só chegam às margens deste grande espaço. Em 1930 esta é a última região da Península Arábica que ainda está por explorar. E Harry Philby jurou atravessala. Para isso tem de ganhar a confiança e respeito dos guerreiros beduínos. Converte-se ao Islamismo e torna-se conselheiro do futuro rei da Arábia Saudita. Em 1930 obtem autorização para explorar o grande deserto. Organiza uma expedição, mas questões políticas impedem-no de avançar nesse inverno. Só em Janeiro de 1932 consegue iniciar a expedição. Nessa altura já tinha sido ultrapassado por Bertram Thomas. Mas avança com 19 beduínos e 37 dromedários e atravessa o Rub’al-Khali de Leste a Oeste, num total de 2880Km. Este é um percurso muito mais perigoso que o que foi feito por Bertram Thomas. Demoraram 2 meses na viagem e no final Harry Philby está muito doente.


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René Caillié

René Caillié: Nascido em 1799, René Caillié era um jovem francês sem um tostão, de origem humilde, que se sentiu inspirado a tornar-se explorador depois da leitura de Robinson Crusoé. Embarcou para o Senegal com dezassete anos. A sua viagem africana de 1824 a 1828, de caravana em caravana, disfarçado de árabe convertido ao islamismo e praticando-o escrupulosamente, fez dele uma lenda. Caillié, estava obcecado com a ideia de ver Timboctou. Depois de onze anos de preparação cuidadosa, partiu em Abril de 1827, do rio Nuñez, a norte da Serra Leoa. Um ano depois, após uma longa e perigosa viagem, atingiu o seu objectivo e tornou-se o primeiro europeu a chegar à cidade lendária e a regressar para contar a história. Morreu em 1838 em consequência do esgotamento e das doenças contraídas no decurso da sua viagem.


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Bertram Thomas

Bertram Thomas: No inverno de 1930 para 1931, Bertram Thomas, ao contrário de Harry Philby, não tem problemas em conseguir as condições necessárias para tentar atravessar o “lugar vazio” que é o Rub’al-Khali. Nessa altura Bertram é conselheiro do rei do emirato de Mascate (actualmente pertence ao sultanato de Oman). Sai com 12 beduínos, de dromedário e entra no “deserto dos desertos”. Faz um percurso ligando os raros pontos onde existe água. A areia chega a estar a 70ºC de dia e à noite a água gela nos odres. Bertram fica com queimaduras solares. Mas em Fevereiro consegue alcançar o extremo oposto aquele em que tinha entrado.


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Thor Heyerdahl

Thor Heyerdahl: Segundo a maioria dos historiadores, as ilhas da polinésia no Pacífico Sul, foram colonizadas por povos que vieram do Sudeste Asiatico. Mas há lendas na polinésia e também na América do Sul, que falam de um Deus Sol, chamado Kon-Tiki, que teria viajado no oceano. Baseando-se nestas lendas, Thor Heyerdahl constroi uma jangada de troncos de balsa, com 14 metros, com a qual pretende recriar a viagem de Deus Sol. A embarcação é batizada de Kon-Tiki. É muito leve, graças ao tipo de madeira utilizado. Os troncos são unidos da forma tradicional, como era prática dos antigos peruanos. Tem uma cabana de folhas de bananeira e uma vela quadrada. Em Abril de 1947 sai do Peru para uma viagem de 6500 Km. A progressão é feita com suporte nas correntes e nos ventos que os levam para Oeste. No início estão muito aprensivos e resseiam pela resistência das cordas de cânhamo. A balsa enche-se de água. Mas continua a flutuar e demonstra grande flexibilidade. Em determinada altura da viagem um tubarão-baleia abocanha a embarcação. Pesa 10 toneladas. Thor espeta um arpão no tubarão-baleia. Este agita-se e parte uma corda. Mas acaba por ir embora. A tripulação apanha outros tubarões que servem de refeição. Depois de 3 meses de navegação são apanhados por tempestades. Um dos homens cai à água e só é salvo porque outro tripulante se atira à água, agarrando uma corda e o consegue agarrar. Quando fazem exactamente 100 dias de viagem, estão no arquipélago de Tuamotu. O Kon-Tiki entra no atolde Raroia (recife de coral) e esmaga-se com violência. Os homens conseguem saltar e nadar até à margem. Não foi a chegada que tinha planeado, mas Thor Heyerdahl conseguiu provar que os Peruanos da América do Sul podiam perfeitamente ter chegado à Polinésia com os recursos e conhecimentos que tinham na época. Mas esta não foi a última viagem deste homem determinado. Em 1969 construiu o “Ra”, utilizando técnicas dos antigos Egípcios, com papiro e fez-se ao Atlântico para provar que estes povos tiveram contactos com os povos da América do Sul. Pensa-se que os Egípcios tiveram origens comuns aos Ameríndios do Continente Americano. Mas esta expedição foi fracassada. Mais tarde constroi o “Ra II” e sai de Marrocos para chegar às Antilhas. Qualquer destas expedições foram aventuras incríveis.


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Henriette d’Angeville

Henriette d’Angeville: Com mais 12 homens, sobe penosamente em direcção ao cume do Monte Branco, carregando roupas totalmente desadequadas. Sofre com os problemas da altitude. Durante a noite não consegue dormir e por isso não recupera do cansaço. Mas a 4 de Setembro de 1838 consegue vencer o ponto mais alto da Europa, o Monte Branco.


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Edward Marriott

Edward Marriott: Em Outubro de 1993, numa altura em que se pensa já não existir nada para descobrir no Mundo e em que os satélites validam o que porventura existisse de dúvidas, descobre-se a existência de uma aldeia na floresta da Papuásia-Nova Guiné, que nunca tinha tido contacto com outros povos. Esta tribo que foi batizada de “Liawep”, vive completamente isolada do resto do Mundo, nas montanhas centrais. São 79 pessoas que vivem do gado, da agricultura e da caça, da forma mais primitiva que se pode imaginar. Só são descobertos porque um velho da tribo está muito doente e o seu neto parte em busca de ajuda. É encontrado por Peter Yasaro, um polícia, que reune alguns soldados e caminha durante 30 dias para chegar à aldeia. A notícia espalha-se por todoo Mundo e isso desperta a curiosidade do jornalista Edward Marriott que vai à procura desta tribo, contrariando as decisões das autoridades do país. Contrata um guia e dois carregadores. Entra na floresta e descobre uma fauna e flora em que tudo tem grandes dimensões. Encontra a povoação no topo de um monte, junto ao Woraitam (monte vulcânico). Estes homens conseguiram manter-se isolados por razões que se predem com as características do terreno e também porque estes disimaram as tribos da região em combates que com eles travaram. As casas da aldeia são feitas com trepadeiras e acentam sobre estacas. As roupas são feitas com folhas de árvore. Edward comunica por gestos. Faz um amigo durante o tempo que vive na aldeia. Mas um dia este sai para caçar e deixa a mulher e uma filha doente, à guarda de Edward. Durante a noite há uma forte trevoada e um raio cai na cabana e mata quase todos os elementos da família. Edward tem medo que as pessoas da aldeia o achem responsável pelo ocorrido e decide fugir. Ainda hoje e apesar dos Liawep viverem da venda da madeira que tiram da floresta, ainda mantêm um certo isolamento do Mundo.


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Jacques-Yves Cousteau

Jacques-Yves Cousteau: Este homem foi certamente quem mais contribuiu para o conhecimento do Mundo subaquático. Entre 1951 e 1989 percorreu os oceanos em expedições de pesquisa e investigação, a bordo do Calypso, um barco especialmente adaptado para o efeito. Construiu pequenos submarinos e desenvolveu o mais variado equipamento subaquático. Os seus documentários tornaram-se míticos e difundiram amplamente o conhecimento da fauna e flora subaquática. Mergulhou até já ser velho e quando o corpo deixou de o permitir, passou o testemunho ao seu filho e à equipa de bons profissionais que formou ao longo dos anos e que em muito o ajudaram a tornar-se no mais mediático mergulhador do Mundo.


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Mary French Sheldon

Mary French Sheldon: Norte Americana excêntrica que ousou atravessar as terras dos Massai, com uma expedição, fazendo-se passar por uma rainha branca. Escreveu o livro “Sultan to Sultan”. Congo. Tânzania.


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Alain Hubert

Alain Hubert: Vasto curriculum. Fez a travessia do Árctico e do Antárctico. Única travessia em autonomia que fez todo o Pólo Sul, a pé, durante quase 100 dias.


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Henry Stanley

Henry Stanley: Chamava-se John Rowlands e era orfão. Tornou-se amigo de um comerciante chamado Stanley e foi por ele adoptado. Sir Henry Morton Stanley viajou por África à procura de David Livingstone quando este esteve sem ser localizado por algum tempo, quando procura a nascente do rio Nilo. Saiu de Zanzibar com 200 carregadores numa expedição cara. Encontrou Livingstone em Ujiji, perto do Lago Tanganyika (actual Tanzania). Juntou-se a ele na exploração da região. Concluiram que não havia ligação entre o Lago Tanganyika e o Nilo. Estavam efectivamente a explorar o rio Lualaba. Mais tarde o New York Herald e o Daily Telegraph financiaram uma nova expedição de Stanley para explorar o curso do rio Congo até ao mar. Chegou ao Lago Tanganyika e daí navegou 1600 km até ao grande lago no rio a que chamou de Stanley Pool (actual Pool Malebo), junto ao qual estavam as cidades de Brazaville e Kinshasa. Depois contornou as cataratas Livingston, aproximando-se da feitoria portuguesa em Boma, no estuário do Congo. Papel de relevo na criação do Estado Livre do Congo, país em que viajou pelas suas selvas. Foi soldado dos dois lados da Guerra Civil Americana. Foi correspondente de vários jornais e depois, apenas do New York Herald. Escreveu "My Early Travels and Adventures in America and Asia" (“As Minhas Primeiras Viagens e Aventuras na América e na Ásia”). Foi eleito para o parlamento Britânico e foi galardoado com o título de cavaleiro pela rainha Vitória.


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David Livingstone

David Livingstone: Médico e missionário. Viajou pela África do Sul, Tânzania e Botswana. Chamavam-lhe “Baraka”. Baptizou as cataratas Vitória. Verdadeira lenda que viveu com os “Susi” e os “Chuma”. Começou por trabalhar no algodão lagar, estudando à noite. Depois estudou medicina e teologia. Tornou-se missionário médico. Casou-se com Mary Moffat, filha de outro missionário, que o acompanhou sempre com a maior coragem. Assumiu a missão de cristianizar os povos do interior da África e libertá-los da escravatura. Viajou pelo Kalahari e explorou o rio Zambeze. Durante quatro anos fez uma expedição com o objectivo de encontrar uma ligação do Alto Zambeze até costa. Encontrou as quedas de água a que chamou de Victoria Falls. Chegou à foz do Zambeze tornando-se no primeiro europeu a atravessar transversalmente a África meridional. Na Grã-Bretanha tornou-se herói nacional. Realizou muitas outras viagens e publicou um "best-seller". Depois, durante cinco anos, a pedido do governo britânico, explorou a África oriental e central. Mary morreu de malária, o que o deixou de rastos. Vagueou por África até que o governo o forçou a retornar e trazer os resultados das suas viagens. No regresso divulgou os horrores do tráfico de escravos, conquistando o apoio privado para uma outra expedição à África central. Procurou a nascente do rio Nilo e fez outros relatórios sobre a escravatura. Esta empreitada durou sete anos, terminando com a sua morte em 1873. Durante esse periodo Henry Stanley, explorador e jornalista, partiu para o encontrar, o que aconteceu no Lago Tanganyika. Quando o encontrou, Stanley proferiu uma frase que se tornou famosa: "Dr. Livingstone, presumo". Continuaram ambos as buscas da nascente do Nilo. Durante muito tempo teve problemas de saúde. Depois de morrer o seu coração foi enterrado em África e o seu corpo foi levado para Inglaterra e enterrado na Abadia Westminster.


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Samuel Baker

Samuel Baker: Nasceu em Londres e foi parcialmente educado na Alemanha. O pai, comerciante da West India Company, tinha-lhe destinado uma carreira comercial. Mas uma curta experiência de escritório mostrou que não tinha nascido para aquilo. Casou com Henrietta Biddulph Martin que morreu mais tarde. Durante o tempo que esteve em Constantinopla, comprou uma rapariga transilvana (Barbara Maria Szász), num leilão de escravos brancos (na actual Bulgária). Alterou-lhe o nome para Florence e bastante mais tarde tornou-a na sua segunda esposa. Esteve na Maurícia mas o desejo de viajar levou-o ao Ceilão, onde fundou uma exploração agrícola em Nuwara Eliya. Trouxe emigrantes e raças de gado seleccionadas de Inglaterra. Foi bem sucedido. Publicou um livro sobre caça e aventuras no Ceilão. De facto as qualidades de caçador eram-lhe reconhecidas. Depois de uma viagem a Constantinopla e Crimeia, envolveu-se na supervisão da construção da ferrovia que liga o Danúbio ao Mar Negro. Depois fez uma viagem de alguns meses pelo Sudeste da Europa e Ásia Menor. Fez então a primeira exploração da África central. Tentou descobrir as origens do rio Nilo. Dedicou um ano à fronteira do Sudão com a Abyssinia. Aprendeu árabe, Chegou a Cartum. Em Gondokoro conheceu Speke e Grant, que, depois de descobrirem a fonte do Nilo, seguiam o rio na direcção do Egipto. Nessa altura pensou que já não havia mais nada para explorar. Mas os dois exploradores deram-lhe as informações que lhe permitiu, após se separarem, descobrir o Albert Nyanza (Lago Albert) e demonstrou que o Nilo fluia através dele. Grande aficionado da caça grossa, foi atacado por um elefante. Foi reconhecido e premiado pela Royal Geographical Society e o mesmo aconteceu pela homologa francesa. Foi armado cavaleiro. Escreveu outros livros que foram um sucesso. Viajou com o rei Eduardo VII (Príncipe de Gales, nessa altura), através do Egito. Apesar de tudo não era bem aceite na sociedade, em boa parte pela forma "irregular" como conheceu a mulher, uma dura que sempre o acompanhou e com quem só tarde casou. Assumiu o comando de uma expedição militar na região equatorial do Nilo, com o objectivo de terminar com o comércio de escravos e abrir o caminho para o comércio e para a civilização. Partiu do Cairo com 1700 soldados egípcios, muitos deles ex-condenados. deram-lhe o estatuto de pasha e General do exército otomano. Lady Baker, como sempre, acompanhou-o. Foi nomeado governador-geral do novo território, durante quatro anos, até ser substituido pelo Coronel Charles George Gordon. Regressou com a esposa a Inglaterra e comprou casa em Sandford Orleigh, no sul de Devon. Publicou uma narrativa da expedição na África Central. Visitou o Chipre. Passou vários invernos no Egito, viajou pela Índia, pelas Montanhas Rochosas e pelo Japão. Viajou também pelo Uganda, Somália, Sudão e Arábia. Morreu em Sandford Orleigh em 1893 e foi enterrado no Cemitério Brompton, em Londres.


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Mary Livingstone

Mary Livingstone (1821-1862): Acompanhou o marido durante anos de exploração em África. Missionária. Viajou pela África do Sul, Botswana e Tânzania. Uma verdadeira africana branca.


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Mary Slessor

Mary Slessor (1848-1915): Missionária cristã, escocesa, colocada no Calabar, actual Nigéria. Combateu as práticas horrendas como matar gémeos à nascença ou submeter presumíveis culpados a rituais de envenenamento.


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Homo Ergaster (Homo Erectus)

Homo Ergaster (Homo Erectus): Foram de facto os primeiros a fazerem grandes viagens. Faziam-no por necessidade, à procura de caça. Espalharam-se por todos os continentes, vindos de África. Enfrentaram grandes perigos e avançaram por territórios totalmente desconhecidos. Isto foi à 1,9 Milhões de anos.
Mundo


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Egipcios/Hatchepsut

Egipcios/Hatchepsut: A Rainha-faraó Hatchepsut organizou a primeira expedição de que se tem conhecimento. A viagem tinha por objectivo trazer incenso, mirra e resinas perfumadas do País de Punt (Eritreia ou Somália). Atravessaram o deserto do vale do Nilo, até ao Mar Vermelho (240 Km em 8 dias), com os materiais com que construíram os barcos que os transportaram por mais 2700 Km. A viagem demorou mais de um ano. Isto foi à 3500 anos.


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Fenícios/Hannon

Fenícios/Hannon: Os mares mais calmos da costa africana, proporcionaram aí um maior desenvolvimento da navegação. Os Fenícios foram os primeiros a circundarem o continente africano por mar. Este povo era orginário do actual Líbano. E fizeram, segundo o relato do historiador Heródoto (500AC), esta expedição a mando do faraó egípcio Necau, que pretendia encontrar uma ligação entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo (600AC). A ser verdade, os Portuguêses não teriam então sido os primeiros a fazê-lo. Em 500AC sairam de Cartago (colónia Fenícia na actual Tunisia) 60 navios comandados por Hannon, com o objectivo de fazer comercio nas ilhas da Madeira e Canárias e também de fundar colónias na costa Atlântica de África.Pelos relatos, os historiadores acreditavam que Hannon passou o rio Senegal, o golgo da Guiné, o vulcão Kakulima da Serra Leoa, até ao monte dos Camarões. A ser verdade, esta expedição também precedeu os Portuguêses. Os navios Fenícios tinham vela e 50 remadores.


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Alexandre Magno

Alexandre Magno: Com as suas expedições militares, leva o império Grego até à Ásia. Coroado Rei da Macedónia em 336AC, parte dois anos depois, com 30.000 soldados, 5000 cavaleiros e um bom número de especialistas nas mais diversas áreas do conhecimento. Em 10 anos percorre 32.000 Km. Vence o Império Persa, coloniza o Egipto e funda mais de 70 cidades no seu percurso. Fizeram grandes descobertas no Mar Cáspio. Viu-se perante o grande obstáculo que foi o maciço montanhoso Hindu Kuch (350 Km no Norte do Afeganistão e Paquistão) que chega aos 7.706 metros. Com um exército exausto, viu-se obrigado a voltar atrás e por isso mandou construir uma frota de barcos que o levaram até ao rio Indo, onde chegou 9 anos depois da partida. E foi na Índia que teve de partir o seu exército em dois, após a destruição de parte dos seus barcos por naufrágio. Um dos grupos foi de barco até à foz do Eufrates e depois, golfo Pérsico, comandados pelo general Nearco. O outro grupo seguiria com Alexandre por terra, até à Babilónia, actual Iraque. Nesta travessia, em 60 dias de deserto, morreram 60.000 dos 85.000 soldados. Ao completar o décimo ano de viagem, os dois exércitos juntaram-se novamente em Susa. Alexandre morreu um ano depois.


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Pítias

Pítias: Em 310 AC este Grego iniciou a viagem que o levou até à Noruega (a terra de “Tule”, que se julgava ser o país mais distante da Grécia). O objectivo da viagem era comercial. Não se sabe exactamente o trajecto que fez até à Inglaterra. Foi por mar até ao Norte da Escócia e depois até à Noruega. Nessa altura pensava que para Norte só havia gelo e monstros marinhos. Pelos relatos, acreditava-se que deve ter estado perto do Círculo Polar Árctico.


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Eratóstenes

Eratóstenes: Juntou as palavras “sea” (terra) e “grafia” (escrever) e fez a palavra “geografia”. Desenhou a terra, juntando a informação das viagens de Alexandre Magno com informações de outros viajantes. Calculava a circunferência em 39.000 Km e erra apenas em 1.000 Km. Para ele o Mundo é redondo. Traça linhas verticais com base em Atenas e horizontais em função das zonas climáticas.


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Ptolomeu

Ptolomeu: No último século antes de Cristo, Ptolemeu cria mais linhas e divide o globo em graus. Dá os nomes de “Latitude” e “Longitude” e inventa um método que representa o globo num mapa plano. Não concorda com o método de cálculo da circunferência da terra de Eratóstenes e pelo seu método chega a 28.000 Km. Erra muitíssimo mais. Faz os continentes maiores e os oceanos menores que os do seu antecessor. Aproxima demasiado a Ásia da Europa. 1300 anos depois, Cristóvão Colombo, usando a informação de Ptolemeu, descobre acidentalmente a América.


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Viquingues

Viquingues: São originários da Escandinávia e são navegantes por tradição. Fazem incursões com o objectivo de saquear, na Europa Ocidental (Séc.VIII) e depois na Rússia, com objectivos que visam o comércio. Estabelecem colónias na Islândia (815DC). A Escandinávia corresponde aos territórios da Noruega, Suécia e Dinamarca. Os Viquingues conheciam bem o mar e fabricavam barcos muito resistentes. Os “Knorr”, que utilizavam para viagens longas e os “Drakkar” que utilizavam para incursões costeiras. Os “Knorr” levavam 30 pessoas e eram pouco confortáveis. De vela grande quadrada e remadores sentados em caixotes. Homens, mulheres e crianças dormiam juntos no chão, em “sacos-cama” feitos de pele. Orientavam-se com um quadrante solar e pela estrela polar. Conheciam também muito bem as correntes, as cores e temperaturas da água e também interpretavam os hábitos das aves marinhas.


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Erik o Vermelho

Erik o Vermelho: Em 982DC, Erik, depois de expulso da colónia na Islândia por ter cometido um assassínio, junta um grupo de homens e ruma a Ocidente. Apanha bons ventos que o levam por mais de 1000 Km até à Gronelândia, a que chamou de “pais verde”. Regressa à Islândia depois de três anos de exílio para contar da sua descoberta. Um ano depois, parte com 25 “Knorrs” para colonizar esse novo território. Mas nesta viagem apanham tempestades e 10 dos barcos perdem-se. Esta colónia prospera, embora isolada do resto do Mundo. Dura até cerca de 1500, altura em que deixa de se ter notícias desta colónia.


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Bjarni

Bjarni: Em 990DC este Viquingue navega da Islândia para a Gronelândia para visitar a família. Mas uma tempestade faz com que se perca e ande à deriva por algum tempo. Finalmente alcançam terra. Mas como se tratava de um território muito arborizado, sabia que não era a Gronelândia. Regista as referências que consistem, entre outras, numa ilha e um grande glaciar e volta ao mar para rumar novamente à Gronelândia.


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Leif Eriksson

Leif Eriksson: Filho de Erik o Vermelho. Entusiasmado pelo relato de Bjarni e motivado pela falta de madeira na Gronelândia, parte com 35 homens e viaja até aos novos territórios que baptizou de “Markland” (terra das florestas), num ponto que era provavelmente o “labrador”. Mas continua a navegar até chegar a uma ilha muito verde com salmões e um clima bem mais agradável do que na sua terra Natal. Passa aí o Inverno. Baptizam esta terra como “Vinland” (a terra do vinho) porque abundam os “frutos vermelhos” (uvas). Mais tarde regressam à Gronelândia para relatar as suas descobertas.


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Thorvald

Thorvald: Irmão de Leift. Parte em 1004 para Vinland. Mas descobrem que estas terras são habitadas e num confronto com Ameríndios, Thorvald morre, atingido por uma flecha. Os restantes regressam à Gronelândia. Entre 1010 e 1020 uma nova expedição de 160 Viquingues regressa a Vinland para a colonizar. Mas passam fome e sofrem ataques frequentes dos Ameríndios. Depois de três Invernos, regressam a casa.


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Ibn Battuta

Ibn Battuta: Muçulmano. Durante 28 anos fez cerca de 120.000 Km (equivalente a três voltas à terra). Em 1325, com 22 anos, sai de Tânger (Marrocos) para uma peregrinação a Meca (Arábia). Nos primeiros dias tem logo que enfrentar salteadores. Junto ao Mar Vermelho não consegue apanhar um barco para a Arábia, por causa de uma guerra entre tribos e por isso é obrigado a subir do Egipto para Damasco (Síria). Chega a Meca, sete anos depois de partir. Esta peregrinação desperta-lhe um forte gosto pelas viagens e por isso, em vez de regressar, segue pelas costas Orientais de África, a bordo de um “Butre”. Depois segue numa caravana para a Síria e até às margens do Mar Negro, onde tem o seu primeiro contacto com uma cidade Cristã. O som dos sinos (que não existiam nos países muçulmanos) deixam-no aterrorizado. Segue então para a Mongólia e atravessa a Ásia Central a cavalo e em carro de bois. Habituado que estava ao calor dos desertos, sofre muito com o frio das estepes. E é por esse motivo que não enfrenta uma exploração da Sibéria. Quando chega à Índia, fica aí oito anos, como hóspede de um sultão em Deli. Assume durante esse período o papel de juiz e depois, de embaixador. Visita as Maldivas e o Sri Lanka (ilhas do Oceano Índico). Volta às viagens e chega à China. Em 1349 (24 anos depois do início), regressa a Marrocos. Mas três anos depois, volta a partir numa viagem que o leva para Sul, pelo Sahara, com os Tuaregues, até ao Mali. Mas a África negra é um choque forte para ele. A comida, a cultura e as mulheres quase nuas, são o oposto daquilo a que está habituado. Regressa a Marrocos em 1353. Considera o seu país como o mais bonito de todo o Mundo. Estes 28 anos de aventuras foram escritos em relatos que ditou após o seu regresso. Foi uma enorme viagem com muitas peripécias. Foi muito rico e também muito pobre. Naufragou várias vezes. Casou várias vezes. Foi prisioneiro e trabalhou em muitos ofícios. Viveu o que poucos viveram e foi sem dúvida o maior viajante do seu tempo.


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Marco Pólo

Marco Pólo: No Séc.IAC, a seda é um bem de luxo muito procurado. Vem da China para a Europa por várias rotas comerciais. Mas entre a China e a Europa está o obstáculo dos muçulmanos na Ásia central. No Séc.XIII os Mongóis, liderados por Gengis Khan, controlam um império que vai da China até à Europa. Os Cristãos estabelecem com eles, acordos que garantem passagem segura sem confrontos com muçulmanos. São criadas feitorias em Constantinopla (actual Istambul/Turquia) e na Crimeira, junto ao Mar Negro. E é a partir destes pontos que saem caravanas que viajam entre locais preparados para paragens (dormida e troca de cavalos). Facilitou a relação com os Mongóis, o facto de estes aceitarem a diversidade de religiões. E foram exactamente os missionários que desenvolveram os primeiros contactos. Os primeiros Europeus a alcançar a China foram os Italianos, irmãos Pólo. São comerciantes e vão vender jóias a um príncipe Mongol. Vão de Constantinopla até à Rússia. Mas no regresso tem de ir para Leste por causa de uma guerra entre Mongóis. Ficam 3 anos no Irão. Acompanham uma caravana que vai para a cidade de Pequim. Kubilai Khan, neto de Gengis Khan, envia por eles uma mensagem para o Papa. Saem da China em 1266 e chegam a Israel (São Jorge de Acra) em 1269. Em 1271, Niccolo e Maffeo partem para a China. Levam com eles Marco (filho de Niccolo, com 17 anos). Saem de Veneza e a viagem demora 25 anos. Durante bastante tempo privam de perto com Gengis Khan. Marco relata esta viagem num livro a que chamou “o livro das Maravilhas do Mundo”. No início da viagem levam também consigo dois missionários enviados pelo Papa, mas estes desistem ao chegar à Arménia. Há a expectativa de um ataque muçulmano aos Mongóis. Os Pólo prosseguem viagem, mas Marco adoece e acabam por ficar um ano no Tajiquistão. Retomam a viagem para enfrentar os planaltos desérticos de Pamir, com mais de 3000 metros de altura. Sofrem com o isolamento. Passam 12 dias a cavalo, sem verem ninguém e sem possibilidade de abrigo. Depois vem o deserto de Gobi onde suportam 45º de dia e 10º de noite. Chegam então à China. Observam diferenças incríveis para o que estão habituados. Ruas com pavimento e postos de paragem preparados para acolher viajantes. Em Maio de 1275 são apresentados a Kubilai Khan que cria empatia imediata com Marco, a quem vem a atribuir missões pelo império. Viaja pela China e pela Índia. Utiliza-se dinheiro de papel, que nesta altura ainda não existe na Europa. Marco admira a cultura chinesa com as suas habitações, pontes e correio a cavalo, de grande organização. Vinte anos depois de iniciarem esta grande aventura, decidem regressar. Os Pólo regressam ricos, pelo comércio que fizeram. No regresso levam consigo uma princesa mongol, até ao Azerbaijão. São obrigados a fazer grandes pausas na Indonésia, antes de seguirem para a Índia. E depois também na Ásia central. Chegam a Veneza em 1295, onde, obviamente, já ninguém os conhece.


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Zheng He

Zheng He: Este almirante Chinês fez sete expedições, no Oceano Índico, entre a China e África, visitando um total de 30 países, no periodo de 1405 a 1433. Os Chineses navegavam no Índico e Golfo Pérsico, nos seus juncos, desde o Séc.VIII. Zheng He navegou num barco a que chamou de “barco-tesouro” e que tinha 9 mastros e um comprimento de 130 metros. A primeira expedição foi constituída por uma frota de 63 juncos e 30.000 homens. Esta e a que lhe seguiram duraram cerca de 2 anos cada uma. Em cada país visitado, eram feitas ofertas de cerâmicas e sedas aos soberanos que em troca ofereciam animais exóticos. Fez inclusive uma viagem até ao Quénia (Melinde), para obter uma girafa para oferecer ao imperador. Nestas visitas pretendia-se sobretudo fazer demonstrações do poder da China.


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D. Henrique e Europeus

D. Henrique e Europeus: No Séc.XV, com a queda do império Mongol, fecha-se o acesso às especiarias do Oriente, aos Europeus, por via terrestre. Os Muçulmanos controlam as antigas rotas e só as caravanas que atravessam o Sahara e depois pelos mercados árabes, estes produtos chegam à Europa. Obviamente a preços muito inflacionados. Isto e a necessidade de ouro para a construção de navios, motivam os Europeus a procurar alternativas por via marítima. Desenham-se novos mapas com a informação de viajantes Muçulmanos e Europeus. Utiliza-se o conhecimento de Ptolemeu. Portugueses e Espanhóis passam a utilizar a bússola dos Chineses como ferramenta de navegação. Introduzem-se a balestra, o astrolábio ou o quadrante e utilizam-se astrónomos para cálculos de navegação. Desenvolvem-se as caravelas com 20 metros, de velas triangulares e uma tripulação de 20 homens. O príncipe D. Henrique, “o Navegador”, era um homem solitário e sonhador que se rodeou dos melhores especialistas que o ajudaram na preparação das grandes explorações marítimas Portuguesas. Com 21 anos organizou uma expedição militar que levou os seus dois irmãos à costa de Marrocos onde tomaram Ceuta aos Muçulmanos. A cidade tem ouro e cobre que vem de África. D.Henrique dedica a sua atenção à rota marítima que possa trazer estas riquezas de África para Portugal. No forte de Sagres, cabo de S.Vicente, reúne especialistas, viajantes e a mais variada informação e funda uma escola de navegação. Aperfeiçoam instrumentos de navegação e constroem as caravelas que o levarão durante 40 anos às grandes descobertas. De 1424 a 1434 partem 15 expedições sem que nenhuma delas tenha logrado passar o Cabo Bojador, ponto que ainda não tinha sido ultrapassado por nenhum Europeu. Isso deveu-se exclusivamente ao pavor que os marinheiros tinham, por acreditarem que a morte os esperava a Sul desse ponto.


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D. Henrique e Europeus

Novo Gil Eanes: E é Gil Eanes que acaba por desmistificar lendas antigas, ultrapassando o Cabo Bojador e chegando ao desértico Sahara (actual Sahara Ocidental, território ocupado por Marrocos). Em 1444 Gil Eanes regressa ao Cabo Branco, na Mauritânia. Inicia-se aqui o tráfico de escravos da costa Africana.


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